Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

A primeira noite de um homem


Há meses assinei a cinemateca da veja - um dos poucos produtos da Abril que me valeram alguma coisa nos últimos anos - 50 filmes a míseros R$ 10,00 cada - muito bom. E muito melhor depois que acabei de assistir ao ótimo A primeira noite de um homem (The Graduate - 1967). O filme me chamou a atenção por pura questão filosófica pessoal. Uma historinha simples mas, com umas cenas marcantes e enredo que mataria do coração qualquer família que tenha dormido no tempo por dez anos no tempo. Paixões, traições e loucuras de amor. Esse post não é uma sinopse; não falarei da estréia de um tal Dustin Hoffman para o mundo - com uma cara de menino - em uma bela atuação ao lado da belíssima Katherine Ross. Depois de quebrar todos os conceitos possíveis de uma concepção de família ligeiramente recente que todos julgam tradicional.
No fim, a cena da igreja é impagável. A cruz, que fica para trás trancando todo o mal dentro da própria igreja- é genial. Talvez irresponsável, talvez genial pura e simplesmente pela irresponsabilidade. Quem ainda não viu está perdendo um ótimo filme; quem viu sabe do que eu estou falando.


Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

The King of Pop


Morre Michael Jackson.


O aclamado Rei do Pop faleceu ontem (25/06/2009) na cidade de Los Angeles. Com a morte de Michael se vai um ícone do século XX, por mais que isso não seja importante a algumas pessoas. A cultura Pop, para muitos, não é cultura, é um aspecto popular transitório, não arraigado; é o que ocorre com as ondas de pagode, funk e outros do gênero do submundo da música que volta e meia despontam na mídia para depois aparecer esporadicamente em programas de "por onde anda fulano". Quando se fala de Michael Jackson a história é outra; talvez nenhum outro artista tenha vivido tanto o seu trabalho como ele. Fez-se isso a ponto de chegar às raias da demência. Seus figurinos ultrapassaram a barreira do palco, suas fantasias se tornaram reais - como a vontade de ser Peter Pan, que o fez construir um rancho com o nome de NeverLand, Terra do Nunca, onde morava o menino voador com as crianças perdidas lutando contra o Capitão Gancho.



Michael marcou gerações. Na década de oitenta ninguém foi como ele. O disco Thriller (1982) é o mais vendido da história da música. Na época o astro na ganhou o prêmio da MTV (MTV Awards) o que levaria a própria emissora a elencar esse episódio como uma das dez maiores piadas sem graça da história da música. Desde de jovem Michael se mostrava um artista completo. Sua dança, voz e ritmo não tem precedentes; baladas românticas (You are not alone) e dançantes (Beat it) faziam de Michael um artista de gênero próprio. Clips superproduzidos e impecáveis como o próprio Thriller são inesquecíveis. Coreografias pouco comuns e arrojadas - quem nunca pelo menos tentou o Moonwalk?- eram suas marcas.



Sucesso, fama, uma família desestruturada. A de se falar que Michael durou muito com a saúde debilitada e os sucessivos baques na vida pessoal como os escândalos com pedofilia, devidamente esclarecidos pela justiça americana ao inocentar o cantor em 2005, e sua visível falência. A cabeça de Jackson já dava sinais de fraqueza com o episódio do bebê na janela em 2002. Na época a revista veja publica um número com a manchete de capa: "Michael Jackson, a demência do astro".



Um ídolo se vai, sem dúvidas. Um som no fundo de todas as festas que frequentamos na nossa infância - eu e outros bebês da década de oitenta - e adolescência. Uma imitação de uma coreografia, uma roupa com brilhantes. Morre Michael Jackson, um menino que encantou o mundo, um jovem que conquistou milhões e não chegou a idade adulta.




Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Um rosto e a face da morte


A morte choca o ser humano, ao menos o ser humano normal. Neda Agha Soltan, a bela jovem de 26 anos que aparece com um sorriso simples e cativante na foto acima publicada pelas agências de notícias no mundo inteiro e fornecida pela correspondência Iraniana da Imprensa popular de dentro do país; morreu. Sua vida se foi depois de ser atingida por um tiro no tórax durante uma manifestação contra o resultado das eleições no seu país. O governo iraniano impede o trabalho da Imprensa internacional, o que é normal em um país onde a democracia, mesmo uma democracia falseada, está longe de ser realidade.
Mas as turbulências trazem os anônimos, Neda não mais morrerá. A imagem forte de seu corpo estendido, seu sangue escorrendo e seus olhos assustados buscando a vida enquanto seus familiares e amigos em desespero tentavam, em vão, socorrê-la, ficará. Essa imagem de Neda jovial, sorridente se tornará uma bandeira. Mais adiante nascerão milhares de Neda pelo mundo umas com o mesmo nome, outras que só terão em comum com a que morreu apenas a repressão machista aliada a uma idéia religiosa idiota, retardada e opressiva.
Antes que digam que estou tentando ficar acima do sagrado dos outros, confesso que apenas me sinto plenamente nivelado com a idéia do bem, e que o caminho para a paz deve fazer um viaduto por cima da estrada esburacada e sangrenta da religião, seja ela qual for. O islã não é um culto menos violento que o cristão, é apenas o foco que muda. O cristianismo superou a fase da guerra santa com o fim da idade média. O islã ainda dá cabo da vida de pessoas em nome de uma idéia ou ser extraterreno. O cristianismo hoje trata a coisa de uma maneira mais fina, ataca as fragilidades e conduz o ser humano indefeso - que geralmente está passando por dificuldades - para um rebanho de adoração em troca de uma vida farta aqui na terra, que normalmente não ocorre sem que se trabalhe bastante e não apenas se ore ou sinta a presença de Deus na sua vida, presença essa que desaparece assim que o medo se vai.
A bela Neda nasceu no Irã, país marcado pela repressão e violência religiosa, pelo machismo, pelo cerceamento do direito de pensar, agir ou viver. Nasceu em um mundo doente, agonizante. Morreu tentando uma breve mudança, uma que não resolverá o problema como todos nós sabemos, mas morreu tentando mudar.
Em certos momentos é preciso dizer não! Esse não vem para a religião, para a autoridade religiosa ou mesmo para Deus, quando qualquer deles tentar destruir o ser humano fisica ou mentalmente.

Domingo, 14 de Junho de 2009

Uma música para você! (Como prometi)


Atendendo a pedidos; esse vídeo é o tema da semana que passarei fora de Imperatriz. Just for you!





P.S.: Não é o que você está pensando.
P.S.2: Também dedicado a Marta e Miramar.